Não existe um exame capaz de dizer a data em que a menopausa vai chegar, mas três dosagens hormonais ajudam a entender em que ponto da transição o corpo está: o FSH (hormônio folículo-estimulante), o estradiol e o hormônio antimülleriano (AMH). Esses resultados só fazem sentido quando lidos junto com a idade, os sintomas e, principalmente, o padrão das menstruações, que continua sendo o sinal mais confiável de todos. Em mulheres com ciclos ainda presentes, os hormônios oscilam bastante, e um único resultado alterado não fecha nem descarta nada sozinho.
Perimenopausa: a fase que antecede a menopausa
A menopausa é um momento pontual: corresponde à última menstruação, reconhecida apenas depois que se completam doze meses seguidos sem sangramento. O período de transição que vem antes dela é chamado de perimenopausa e pode durar meses ou vários anos. Em geral, começa entre o fim dos 40 e o início dos 50 anos, mas há variação individual grande, influenciada por genética, tabagismo, cirurgias ginecológicas prévias e alguns tratamentos de saúde.
É nessa fase que costumam aparecer os sinais mais conhecidos:
- ciclos que ficam mais curtos, mais longos ou irregulares;
- fluxo que muda de intensidade de um mês para o outro;
- ondas de calor e suores noturnos;
- alterações de sono, humor, memória e concentração;
- ressecamento vaginal e desconforto nas relações sexuais;
- queixas urinárias, como urgência ou infecções mais frequentes.
Como os hormônios sobem e descem de forma irregular nesse período, os exames funcionam mais como fotografias de um momento do que como previsão de futuro.
1. FSH: o hormônio que sobe quando os ovários desaceleram
O FSH é produzido pela hipófise, uma glândula no cérebro, e tem a função de estimular os folículos ovarianos. Quando a reserva de folículos diminui, o organismo tende a aumentar a produção de FSH na tentativa de manter a resposta dos ovários. Por isso, valores elevados sugerem que a função ovariana está reduzida.
Alguns cuidados importantes na interpretação:
- em mulheres que ainda menstruam, a coleta costuma ser orientada para os primeiros dias do ciclo, quando o resultado é mais comparável;
- na perimenopausa, o valor pode estar alto em um mês e normal no seguinte, o que pode exigir repetição;
- o uso de anticoncepcional hormonal ou de terapia hormonal interfere no resultado e costuma tornar a dosagem pouco útil.
2. Estradiol: o estrogênio que oscila antes de cair
O estradiol é o principal estrogênio da fase reprodutiva e é produzido sobretudo pelos ovários. Ao longo da transição, a tendência é de queda, mas o caminho raramente é linear: não é incomum que apareçam picos, inclusive com valores acima do habitual, alternando com quedas. Isso ajuda a explicar por que os sintomas variam tanto de uma semana para outra.
Na prática, o estradiol raramente é avaliado sozinho. A combinação de FSH persistentemente elevado com estradiol baixo, em uma mulher com a idade compatível e sem menstruar há meses, reforça a hipótese de que a transição já está avançada. Ainda assim, é a ausência de menstruação por doze meses que confirma o quadro.
3. Hormônio antimülleriano (AMH): a medida da reserva ovariana
O AMH é produzido por folículos ovarianos em estágio inicial e reflete, de forma indireta, o tamanho da reserva ainda disponível. Ele tem uma vantagem prática: varia menos ao longo do ciclo menstrual do que o FSH e o estradiol, podendo ser coletado em dias diferentes.
À medida que a reserva se esgota, os valores caem progressivamente e chegam a níveis muito baixos perto da menopausa. Estudos sugerem que o AMH ajuda a estimar a proximidade dessa fase em análises de grupo, mas ele não define uma data individual e não deve ser usado como teste de fertilidade isolado. Também não é um exame de rotina para todas as mulheres: costuma ser indicado em situações específicas, como investigação de suspeita de falência ovariana precoce ou planejamento reprodutivo.
Exames que ajudam a descartar outras causas
Menstruação irregular, cansaço, alteração de humor e ganho de peso não são exclusivos da perimenopausa. Por isso, a avaliação médica pode incluir outros exames, conforme o caso:
- TSH e hormônios tireoidianos, já que alterações da tireoide imitam vários sintomas dessa fase;
- teste de gravidez, porque a gestação ainda é possível enquanto houver menstruação, mesmo que irregular;
- prolactina, quando há suspeita de causas hormonais de ausência de menstruação;
- hemograma e ferritina, especialmente se o sangramento for intenso;
- ultrassonografia pélvica, quando há sangramento anormal a ser investigado.
Essa fase também é uma boa oportunidade para revisar a saúde geral, com atenção a pressão arterial, glicemia, perfil de gorduras no sangue e saúde óssea, além de manter em dia os exames de rastreamento indicados pelo profissional que acompanha o caso.
Quando procurar um médico
Vale marcar uma avaliação sempre que os sintomas atrapalharem o sono, o trabalho, o humor ou a vida sexual, mesmo que pareçam esperados para a idade. Existem, porém, situações que pedem avaliação mais rápida:
- qualquer sangramento vaginal depois de doze meses sem menstruar;
- sangramento muito intenso, com coágulos, ou que dure mais do que o habitual;
- sangramento entre os ciclos ou após a relação sexual;
- ausência de menstruação antes dos 40 anos, que exige investigação específica;
- dor pélvica persistente ou dor durante as relações que não melhora;
- tristeza persistente, perda de interesse nas atividades ou pensamentos de morte, que merecem atenção imediata;
- fraturas após quedas leves ou perda de altura perceptível.
Sintomas intensos não precisam ser suportados em silêncio. Existem opções de tratamento, hormonais e não hormonais, e a escolha depende do histórico de cada pessoa, incluindo antecedentes de trombose, câncer e doenças cardiovasculares.
Antes da consulta, anote por alguns meses as datas e a intensidade das menstruações, os sintomas mais incômodos e os medicamentos que você usa. Leve exames anteriores e evite pedir dosagens hormonais por conta própria: interpretadas fora do contexto, elas costumam gerar mais dúvida do que resposta. A conversa com o profissional que acompanha o seu caso continua sendo o melhor exame disponível.


