A cirurgia de colocação de prótese mamária, também chamada de mamoplastia de aumento, é um procedimento cirúrgico no qual um implante de silicone é posicionado atrás do tecido da mama ou atrás do músculo peitoral, com o objetivo de aumentar o volume, melhorar o contorno ou corrigir assimetrias. Em geral é realizada em centro cirúrgico, com anestesia geral ou anestesia regional associada a sedação, e exige preparo pré-operatório, curativos, uso de sutiã compressivo e algumas semanas de restrição de esforço. Por ser uma cirurgia de verdade, com riscos reais, a indicação e a realização precisam ficar a cargo de um cirurgião plástico com registro ativo no conselho de medicina.
Como a cirurgia costuma ser feita
O planejamento começa antes do centro cirúrgico. Na consulta, o cirurgião avalia o formato e o volume da mama, a qualidade da pele, a distância entre as estruturas, a presença de queda mamária e as expectativas da pessoa. A partir disso, define o tipo, o formato e o volume do implante, além do local da incisão e do plano em que a prótese será posicionada.
No dia da cirurgia, o procedimento em geral segue estas etapas:
- Marcação da pele com a paciente em pé, para orientar a simetria.
- Anestesia, escolhida em conjunto com o anestesiologista.
- Incisão, feita normalmente no sulco abaixo da mama, ao redor da aréola ou na axila.
- Criação do espaço (loja) onde o implante será acomodado.
- Posicionamento da prótese, checagem da simetria e fechamento por camadas.
- Curativo e colocação do sutiã cirúrgico.
O tempo de sala costuma ser de algumas horas e, dependendo do caso e da estrutura do serviço, pode haver alta no mesmo dia ou pernoite hospitalar.
Tipos de implante e planos de colocação
Os implantes usados hoje têm invólucro de silicone e conteúdo em gel coeso. Eles variam em formato (redondo ou anatômico), em textura da superfície, em projeção e em volume. Não existe um modelo melhor para todo mundo: a escolha depende da anatomia, da espessura do tecido que recobre a mama e do resultado desejado.
Quanto ao plano, as opções mais comuns são:
- Subglandular: a prótese fica entre a glândula mamária e o músculo peitoral.
- Submuscular ou dual plane: a prótese fica parcial ou totalmente atrás do músculo peitoral, o que pode ajudar a disfarçar as bordas do implante em pessoas com pouco tecido mamário.
Cada abordagem tem vantagens e desvantagens em relação a naturalidade, dor no pós-operatório e comportamento do implante ao longo do tempo. Essa discussão pertence à consulta, com base no exame físico.
O que costuma ser avaliado antes
A avaliação pré-operatória existe para reduzir riscos, e não é uma formalidade. Em geral inclui exames de sangue, avaliação clínica e cardiológica conforme a idade e as condições de saúde, e exames de imagem das mamas quando indicados. Condições como tabagismo, diabetes descompensado, obesidade, uso de certos medicamentos e distúrbios de coagulação podem aumentar complicações e precisam ser discutidas abertamente.
Também faz parte do preparo alinhar expectativas. A cirurgia muda o volume e o contorno, mas não corrige todos os aspectos da mama. Quando há queda mamária importante, por exemplo, pode ser necessário associar outro procedimento. Expectativas irreais são um dos principais motivos de insatisfação depois de uma cirurgia tecnicamente bem feita.
Como é a recuperação
Os primeiros dias costumam trazer dor, sensação de peso ou aperto no peito, inchaço e alguma equimose. A dor tende a ser mais intensa quando o implante fica atrás do músculo. O uso do sutiã compressivo, os retornos para avaliação da cicatriz e a medicação prescrita pelo cirurgião fazem parte do processo.
Orientações que costumam ser dadas no pós-operatório:
- Evitar esforço com os braços, dirigir e carregar peso no período indicado pela equipe.
- Dormir na posição orientada, em geral de barriga para cima nas primeiras semanas.
- Retomar atividade física apenas com liberação médica, de forma gradual.
- Proteger a cicatriz do sol enquanto ela estiver em maturação.
- Não interromper antibiótico ou analgésico por conta própria.
O retorno às atividades leves costuma acontecer em poucos dias, mas o resultado final da forma e da cicatriz demora meses para se estabilizar. Comparar a mama recém-operada com o resultado esperado gera ansiedade desnecessária.
Riscos e cuidados de longo prazo
Como toda cirurgia, a mamoplastia de aumento tem riscos. Entre as complicações possíveis estão infecção, sangramento e formação de hematoma, alterações de sensibilidade no mamilo, assimetria, problemas de cicatrização e complicações relacionadas à anestesia. Existe ainda a contratura capsular, quando a cápsula de tecido que o corpo forma ao redor do implante endurece e deforma a mama, e a possibilidade de ruptura ou desgaste do implante ao longo dos anos.
Por isso, o implante não deve ser tratado como algo definitivo e esquecido. O acompanhamento periódico com o cirurgião plástico permite avaliar a integridade da prótese. Além disso, ter prótese não dispensa o rastreamento do câncer de mama: é importante informar sobre o implante ao agendar exames de imagem, para que a técnica seja adaptada.
Quando procurar um médico
No pós-operatório, alguns sinais pedem contato imediato com a equipe cirúrgica ou avaliação em pronto-socorro:
- Febre, calafrios ou mal-estar importante.
- Dor que piora em vez de melhorar com o passar dos dias.
- Vermelhidão, calor local ou saída de secreção pela cicatriz.
- Aumento súbito de volume em uma das mamas, com assimetria nova.
- Falta de ar, dor no peito, dor ou inchaço em uma das pernas.
Fora do período cirúrgico, também vale procurar avaliação diante de endurecimento progressivo da mama, mudança de formato, nódulo novo, retração da pele ou saída de secreção pelo mamilo. Esses achados não indicam necessariamente algo grave, mas precisam ser examinados.
Se você está considerando colocar prótese mamária, trate a decisão como uma decisão de saúde, e não apenas estética: procure um cirurgião plástico com registro confirmado, pergunte sobre riscos e alternativas, faça os exames solicitados, informe todos os medicamentos que usa e mantenha o acompanhamento depois da cirurgia. Boas escolhas começam com informação clara e uma consulta bem feita.


