Nem toda saliência na pele é a mesma coisa. As verrugas verdadeiras são causadas pelo HPV (papilomavírus humano) e mudam de aparência conforme o subtipo do vírus e a região do corpo atingida. As mais frequentes são a verruga vulgar (áspera e da cor da pele, comum em mãos e dedos), a plantar (achatada e dolorida na sola do pé), a plana (pequena, lisa e em grupos, no rosto e nas pernas), a filiforme (fina e alongada, em pálpebras, lábios e pescoço) e a anogenital, também chamada de condiloma. Já aquelas pontinhas moles e penduradas no pescoço e nas axilas, tão apelidadas de verruga, em geral são acrocórdons e não têm relação com o vírus.
O que é uma verruga, afinal
A verruga é um crescimento benigno da camada mais superficial da pele, provocado pela infecção das células por algum subtipo do HPV. O vírus costuma entrar por pequenas falhas na barreira cutânea: cortes, rachaduras, cutículas machucadas, pele ressecada ou amolecida pela umidade. Uma vez instalado, ele estimula a multiplicação acelerada das células de queratina, e o resultado é aquele espessamento de superfície irregular que aparece semanas ou até meses depois do contato.
Existem dezenas de subtipos de HPV, e cada grupo tem preferência por determinadas áreas do corpo. É por isso que a verruga da mão não se parece com a da sola do pé, embora as duas tenham a mesma origem. Em pessoas com imunidade preservada, as verrugas comuns tendem a ser inofensivas e podem inclusive regredir sozinhas com o tempo, ainda que esse processo seja lento e imprevisível.
Os principais tipos e como reconhecer
- Verruga vulgar (comum): a mais frequente. Elevada, firme, com superfície áspera parecida com couve-flor e cor semelhante à da pele. Aparece sobretudo em dedos, dorso das mãos, cotovelos e joelhos, e é comum em quem rói unha ou tira cutícula.
- Verruga plantar: surge na sola do pé e, pelo peso do corpo, cresce para dentro em vez de para fora. Costuma ser achatada, com um anel de pele endurecida em volta e pontinhos escuros no centro, que são vasos sanguíneos. Dói ao pisar, e essa dor ajuda a diferenciar do calo comum.
- Verruga plana: pequena, lisa, pouco elevada, cor da pele ou levemente acastanhada. Aparece em grande número, às vezes dezenas de lesões, principalmente em rosto, dorso das mãos e pernas. É mais comum em crianças, adolescentes e em quem depila ou faz a barba na região.
- Verruga filiforme: fina, alongada, com aspecto de pequeno filamento saindo da pele. Prefere áreas de pele mais delicada, como pálpebras, ao redor da boca, nariz e pescoço.
- Verruga anogenital (condiloma): lesões que surgem na região genital ou anal, isoladas ou agrupadas. São causadas por subtipos de HPV de transmissão sexual e exigem avaliação médica específica, além de investigação de outras infecções e acompanhamento ginecológico ou urológico.
Lesões parecidas que não são verruga
- Acrocórdon (fibroma mole): aquelas pontinhas moles, com uma base fina, que aparecem em pescoço, axilas, pálpebras e virilha. Não têm origem viral e costumam ser associadas a atrito, sobrepeso e fatores hormonais e metabólicos.
- Queratose seborreica: placas amarronzadas ou pretas, com aparência de algo colado sobre a pele. Surgem com o passar dos anos e são benignas, mas às vezes precisam ser distinguidas de lesões pigmentadas de outra natureza.
- Molusco contagioso: pequenas bolinhas brilhantes, cor da pele, com uma depressão central. São causadas por outro vírus, muito comuns em crianças e transmissíveis pelo contato direto.
- Calos e calosidades: espessamentos por pressão e atrito, sem pontinhos escuros no centro. Doem sob pressão direta, enquanto a verruga plantar tende a incomodar mais quando apertada pelas laterais.
- Pintas e nevos: lesões pigmentadas que nada têm a ver com verruga. Qualquer pinta que muda de cor, tamanho, formato ou passa a coçar e sangrar merece avaliação dermatológica.
Como as verrugas se espalham
A transmissão acontece pelo contato direto com a pele de outra pessoa ou com superfícies contaminadas. Pisos úmidos de piscinas, vestiários e academias, toalhas, lixas e alicates compartilhados são caminhos conhecidos. Há também a autoinoculação, ou seja, a pessoa leva o vírus de uma área para outra do próprio corpo ao coçar, cutucar, roer a unha ou fazer a barba sobre a lesão.
Alguns cuidados simples reduzem a disseminação:
- Evitar cutucar, arrancar ou raspar a verruga.
- Usar chinelo em áreas comuns molhadas e secar bem os pés, principalmente entre os dedos.
- Não compartilhar toalhas, lixas, alicates e lâminas de barbear.
- Manter a lesão coberta durante atividades com contato pele a pele.
- Hidratar a pele e cuidar de rachaduras, que funcionam como porta de entrada.
O que costuma ser feito no tratamento
Não existe, até hoje, um remédio que elimine o HPV do organismo. O que os tratamentos fazem é destruir a lesão e estimular o sistema imunológico a reconhecer o vírus. Entre as abordagens usadas na prática clínica estão substâncias queratolíticas de uso tópico, crioterapia (aplicação de frio intenso), cauterização química ou elétrica, curetagem, laser e, em casos selecionados, imunoterapia. A escolha depende do tipo de verruga, do número de lesões, da localização, da idade e das condições de saúde da pessoa.
Vale saber que várias sessões podem ser necessárias e que recidivas acontecem, mesmo com tratamento bem conduzido. Improvisos são especialmente arriscados: cortar com lâmina em casa, aplicar produtos cáusticos por conta própria ou usar receitas caseiras pode gerar queimadura, infecção secundária e cicatriz permanente. O cuidado precisa ser ainda maior em pessoas com diabetes, alteração de circulação nos pés ou imunidade reduzida.
Quando procurar um médico
Procure avaliação profissional, sem esperar que a lesão desapareça sozinha, diante de qualquer um destes sinais:
- Lesão que cresce rápido, muda de cor ou de formato.
- Sangramento espontâneo, secreção, odor ou ferida que não cicatriza.
- Dor importante, principalmente ao pisar ou ao usar as mãos.
- Verrugas no rosto, nas pálpebras, nas unhas ou na região genital e anal.
- Grande número de lesões ou aumento rápido da quantidade.
- Presença de diabetes, problemas de circulação, imunidade baixa, uso de imunossupressores ou gestação.
- Dúvida sobre o que é a lesão, sobretudo se ela for escurecida ou tiver bordas irregulares.
O diagnóstico é, na maior parte das vezes, clínico: o médico examina a lesão e, quando necessário, usa dermatoscopia ou solicita biópsia para confirmar. Essa confirmação é justamente o que evita tratar como verruga algo que exige outra conduta.
Antes de tentar qualquer solução caseira, tire uma foto da lesão e observe se ela mudou nas últimas semanas. Leve essa informação a uma consulta dermatológica: identificar corretamente o tipo de lesão é o passo que define o tratamento certo e evita cicatrizes desnecessárias.


