O infarto costuma se manifestar como uma dor ou desconforto no centro do peito, com sensação de aperto, peso, pressão ou queimação, que dura mais de alguns minutos, não melhora com repouso e pode se espalhar para o braço (mais frequentemente o esquerdo), ombros, pescoço, mandíbula, costas ou boca do estômago. Esse desconforto em geral vem acompanhado de suor frio, falta de ar, náusea, palidez, tontura e uma sensação forte de mal-estar ou angústia. Diante desse conjunto de sinais, a conduta correta é procurar atendimento de emergência imediatamente, sem esperar para ver se melhora sozinho.

Este conteúdo tem caráter informativo e educativo. Ele não substitui a consulta, a avaliação e o acompanhamento de um profissional de saúde. Em caso de suspeita de infarto, procure atendimento de urgência ou ligue para o SAMU (192).

Quais são os sinais mais comuns de infarto

O infarto acontece quando o fluxo de sangue para uma parte do músculo cardíaco é interrompido ou muito reduzido, em geral pela obstrução de uma artéria coronária. O coração passa a receber menos oxigênio do que precisa, e é isso que produz os sintomas. Os mais relatados são:

  • Dor ou desconforto no peito, descrito como aperto, peso, pressão, queimação ou "algo apertando por dentro", geralmente no centro ou à esquerda do tórax.
  • Dor que irradia para braços, ombros, pescoço, mandíbula, dentes, costas ou região entre as escápulas.
  • Falta de ar, com ou sem dor no peito, mesmo em repouso ou em esforços leves.
  • Suor frio, pele pálida ou acinzentada e sensação de pele úmida.
  • Náusea, vômito, mal-estar no estômago ou sensação parecida com má digestão.
  • Tontura, fraqueza intensa, batimentos irregulares ou desmaio.
  • Ansiedade forte e sensação de que algo muito grave está acontecendo.

Um ponto importante: nem todo infarto provoca dor intensa. Muitas pessoas descrevem apenas um incômodo persistente, difícil de apontar com o dedo, que aumenta com esforço e diminui um pouco em repouso, mas volta. Esse padrão também merece avaliação.

Sinais que podem aparecer dias ou semanas antes

Nem sempre o infarto é o primeiro aviso do coração. Em parte dos casos, o corpo dá sinais antes, e eles costumam ser sutis o suficiente para serem confundidos com estresse, cansaço ou falta de condicionamento. Estudos sugerem que sintomas prévios são relativamente frequentes, sobretudo nos dias que antecedem o evento. Vale prestar atenção quando surgem:

  • Cansaço desproporcional para atividades que antes eram fáceis, como subir escadas ou caminhar até o ponto de ônibus.
  • Falta de ar nova ou que piorou nas últimas semanas.
  • Desconforto no peito que aparece com esforço, emoção forte ou frio, e melhora com repouso (o que costuma ser chamado de angina).
  • Episódios repetidos de mal-estar, suor e palpitação sem causa clara.
  • Dor no peito que passou a surgir com esforços cada vez menores, ou que começou a acontecer em repouso.

Esse último item merece destaque: uma angina conhecida que muda de padrão, ficando mais frequente, mais intensa ou mais fácil de desencadear, é considerada uma situação de risco e precisa de avaliação rápida.

Por que os sintomas podem ser diferentes em algumas pessoas

A imagem popular do infarto (a pessoa que leva a mão ao peito e cai) descreve apenas uma parte dos casos. Apresentações menos típicas são comuns e explicam parte dos atrasos no atendimento.

  • Mulheres: podem apresentar com mais frequência falta de ar, cansaço extremo, náusea, dor nas costas ou na mandíbula, sem a dor torácica clássica em aperto.
  • Pessoas com diabetes: a alteração dos nervos que conduzem a dor pode tornar o infarto pouco doloroso ou até silencioso, com predomínio de falta de ar, sudorese ou confusão.
  • Idosos: podem manifestar principalmente fraqueza súbita, confusão mental, queda, desmaio ou piora inexplicada do estado geral.

Por isso, a regra prática é observar o conjunto: sintoma novo, que não tem explicação óbvia, acompanhado de suor frio, falta de ar ou mal-estar intenso, merece atendimento imediato, independentemente de haver ou não dor no peito.

Quando procurar um médico: sinais de alerta

Procure atendimento de emergência imediatamente, sem dirigir e sem esperar, se houver:

  1. Dor, aperto ou queimação no peito que dura mais de alguns minutos, ou que vai e volta em ondas.
  2. Dor no peito associada a suor frio, falta de ar, náusea, palidez ou tontura.
  3. Dor que irradia para braço, ombro, pescoço, mandíbula ou costas.
  4. Falta de ar súbita e importante, mesmo sem dor.
  5. Desmaio, quase desmaio ou batimentos muito irregulares.
  6. Confusão mental súbita ou fraqueza intensa sem explicação, principalmente em idosos.

Já a consulta com clínico ou cardiologista, de forma agendada, é indicada quando existem fatores de risco (pressão alta, colesterol elevado, diabetes, tabagismo, obesidade, sedentarismo, histórico familiar de doença cardíaca precoce) ou sintomas leves e recorrentes aos esforços. Avaliar antes é sempre melhor do que descobrir na emergência.

O que fazer enquanto a ajuda não chega

Algumas atitudes simples fazem diferença nos primeiros minutos:

  • Ligue para o SAMU (192) ou para os Bombeiros (193) e descreva os sintomas com clareza.
  • Mantenha a pessoa em repouso, sentada ou deitada, em local arejado, com roupas folgadas.
  • Não ofereça medicamentos por conta própria; qualquer medicação deve ser orientada por profissional de saúde ou pela equipe de regulação médica ao telefone.
  • Evite dirigir até o hospital com a própria pessoa ao volante, pelo risco de perda de consciência no trajeto.
  • Se a pessoa perder a consciência e parar de respirar normalmente, inicie as compressões torácicas e siga as orientações do atendente do serviço de emergência até a chegada do socorro.

Tempo é músculo cardíaco: quanto mais cedo o fluxo de sangue é restabelecido, menor tende a ser a área do coração lesionada e melhor costuma ser a recuperação.

Como reduzir o risco no dia a dia

Grande parte dos fatores que levam ao infarto é modificável. As medidas com maior respaldo incluem não fumar, controlar pressão arterial, glicemia e colesterol com acompanhamento regular, manter atividade física conforme orientação profissional, priorizar uma alimentação com mais alimentos in natura e menos ultraprocessados e sal, cuidar do sono e do estresse crônico e manter o peso dentro de uma faixa saudável para o seu caso. Consultas periódicas permitem identificar riscos silenciosos antes que eles se manifestem de forma aguda.

Se você sentir dor ou aperto no peito que dura mais de alguns minutos, especialmente com suor frio, falta de ar ou náusea, trate como emergência: pare o que está fazendo, peça ajuda e ligue para o 192. É preferível ir ao hospital e descobrir que era um alarme falso do que perder tempo diante de um infarto real. E, se você tem fatores de risco, agende uma avaliação cardiológica mesmo estando sem sintomas.