O infarto costuma se manifestar como dor ou desconforto no centro do peito, descrito como aperto, peso, pressão ou queimação, que dura mais de alguns minutos, não melhora com repouso e pode irradiar para o braço (mais frequentemente o esquerdo), ombros, pescoço, mandíbula, boca do estômago ou costas. Esse desconforto costuma vir acompanhado de suor frio, falta de ar, náusea, palidez, tontura e uma sensação forte de mal-estar ou angústia. Nem todo infarto provoca dor intensa: parte dos casos aparece apenas como cansaço desproporcional, indigestão ou falta de ar. Diante da suspeita, o caminho correto é acionar o serviço de emergência imediatamente, porque o tempo até o atendimento influencia diretamente quanto do músculo cardíaco pode ser preservado. Já a prevenção depende, em grande parte, do controle da pressão arterial, do colesterol, da glicemia, do peso, do abandono do cigarro e da prática regular de atividade física.
Quais são os sinais mais comuns de infarto
O infarto acontece quando uma artéria que leva sangue ao coração é obstruída, geralmente por uma placa de gordura que se rompe e favorece a formação de um coágulo. A parte do músculo cardíaco que deixa de receber sangue começa a sofrer, e é isso que produz os sintomas. Os sinais mais frequentemente relatados são:
- Dor, aperto, peso ou queimação no centro do peito, com duração acima de alguns minutos, contínua ou que vai e volta.
- Irradiação da dor para braços, ombros, pescoço, mandíbula, dentes, costas ou região do estômago.
- Suor frio, pele pálida ou acinzentada.
- Falta de ar, mesmo em repouso ou com esforços pequenos.
- Náusea, vômito ou sensação de má digestão sem causa aparente.
- Tontura, fraqueza intensa, sensação de desmaio ou palpitações.
Um ponto importante: a dor do infarto em geral não muda com a posição do corpo nem com a respiração profunda, e não costuma piorar quando se aperta o peito com o dedo. Ainda assim, essas características ajudam a orientar, mas não excluem o diagnóstico. Apenas a avaliação médica com exame clínico, eletrocardiograma e exames de sangue pode confirmar ou afastar um infarto.
Sinais menos típicos que merecem atenção
Nem todo mundo sente o quadro clássico. Mulheres, pessoas idosas e quem convive com diabetes há muitos anos podem apresentar sintomas mais discretos ou diferentes do esperado, o que atrasa a busca por socorro. Entre as apresentações menos típicas estão:
- Cansaço extremo e súbito, sem explicação, às vezes começando dias antes.
- Falta de ar isolada, sem dor no peito.
- Desconforto apenas nas costas, entre as escápulas, ou na mandíbula.
- Sensação de queimação no estômago confundida com gastrite ou refluxo.
- Confusão mental ou desmaio, especialmente em pessoas mais velhas.
Em pessoas com diabetes de longa data, a percepção da dor pode estar reduzida por alterações nos nervos, e o infarto pode ocorrer com pouco ou nenhum sintoma doloroso. Por isso, qualquer mudança abrupta na capacidade de fazer atividades habituais merece avaliação.
Quando procurar um médico com urgência
Alguns sinais indicam necessidade de atendimento imediato, sem esperar para ver se melhora. Procure o serviço de emergência ou ligue para o 192 (SAMU) se houver:
- Dor ou aperto no peito que dura mais de alguns minutos, principalmente se vier com suor frio, falta de ar ou enjoo.
- Dor no peito que aparece durante esforço e melhora com repouso, mas vem se repetindo com esforços cada vez menores.
- Falta de ar súbita e intensa, com ou sem dor.
- Desmaio, quase desmaio ou palpitações associadas a mal-estar importante.
- Dor no peito em quem já teve infarto, colocou stent, fez cirurgia cardíaca ou tem vários fatores de risco.
Na dúvida, avalie: é sempre preferível ir ao pronto-socorro e descobrir que não era infarto do que permanecer em casa esperando. Enquanto aguarda o socorro, o ideal é manter a pessoa em repouso, sentada ou deitada, com roupas folgadas, evitando esforços. Não dirija até o hospital por conta própria e evite tomar medicamentos por iniciativa própria: a orientação sobre qualquer remédio deve vir de um profissional ou da central de emergência.
Como reduzir o risco de infarto no dia a dia
Boa parte do risco cardiovascular está ligada a fatores que podem ser modificados. Estudos sugerem que hábitos consistentes ao longo dos anos têm impacto relevante na saúde do coração. As medidas com melhor respaldo incluem:
- Parar de fumar. O cigarro agride diretamente a parede das artérias e o benefício de parar começa relativamente cedo.
- Controlar a pressão arterial. A hipertensão costuma ser silenciosa, o que torna a medição periódica essencial.
- Cuidar do colesterol e da glicemia. Ambos podem estar alterados sem provocar sintomas por muito tempo.
- Movimentar-se com regularidade. Caminhadas e atividades aeróbicas na maioria dos dias da semana, dentro do que for liberado pelo seu médico.
- Ajustar a alimentação. Mais frutas, verduras, legumes, grãos integrais, feijões, peixes e azeite; menos ultraprocessados, frituras, embutidos, sal e bebidas açucaradas.
- Manter o peso em faixa saudável e dar atenção ao sono e ao estresse crônico, que também influenciam a pressão e o metabolismo.
- Moderar ou evitar o álcool. Não existe recomendação de começar a beber para proteger o coração.
Exames e acompanhamento: quem deve avaliar o coração
A avaliação de risco cardiovascular costuma ser recomendada para adultos, com periodicidade definida caso a caso. Em geral, a consulta inclui histórico pessoal e familiar, medida da pressão, exame físico e exames de sangue como colesterol e glicemia. Dependendo do resultado, o médico pode solicitar eletrocardiograma, teste ergométrico ou outros exames de imagem.
Merecem atenção especial quem tem histórico familiar de infarto precoce, hipertensão, diabetes, doença renal crônica, colesterol elevado, obesidade, apneia do sono ou passado de tabagismo. Mulheres que tiveram pressão alta ou diabetes na gestação também têm indicação de acompanhamento mais próximo ao longo da vida. Nada disso significa que o infarto vai acontecer: significa que existe um caminho claro de prevenção a seguir.
Guarde uma regra simples: dor no peito com suor frio, falta de ar ou enjoo é motivo para acionar a emergência agora, não para esperar. E, fora da urgência, agende uma consulta para medir pressão, colesterol e glicemia. Conhecer seus números é o primeiro passo para cuidar da sua saúde de forma inteligente.


