Muitos homens passam por um infarto sem sentir a dor intensa no peito que costuma ser associada ao problema. É o que se chama de infarto silencioso ou de sintomas atípicos: uma artéria do coração é obstruída, parte do músculo cardíaco deixa de receber sangue e sofre lesão, mas a pessoa sente apenas um mal-estar vago, cansaço, falta de ar ou algo parecido com má digestão. O dano é o mesmo de um infarto clássico. A diferença é que, sem o sinal de alarme evidente, o socorro demora, e é justamente esse atraso que costuma piorar o desfecho.

Este conteúdo tem caráter informativo e educativo. Ele não substitui a consulta com um médico, nem serve para diagnóstico ou tratamento individual. Diante de qualquer suspeita de infarto, ligue imediatamente para o 192 (SAMU).

O que é um infarto silencioso

O infarto acontece quando uma placa de gordura na parede de uma artéria coronária se rompe e forma um coágulo que interrompe o fluxo de sangue. A partir daí, a região do coração que dependia daquela artéria começa a sofrer. Em geral esse processo provoca dor, mas nem sempre. Nos casos silenciosos, a percepção do sintoma é fraca ou o desconforto aparece em lugares inesperados, como estômago, costas, mandíbula ou braço.

Boa parte desses infartos só é descoberta tempos depois, em um eletrocardiograma de rotina ou em um exame de imagem que mostra a cicatriz deixada no músculo cardíaco. Ou seja, a pessoa infartou, seguiu a vida achando que tinha sido apenas uma crise de gastrite ou uma noite mal dormida, e continua com o mesmo risco de um novo evento, agora com o coração mais frágil.

Por que isso é tão comum entre homens

Não existe uma causa única. Costumam se somar fatores biológicos e comportamentais:

  • Menor procura por atendimento. Homens, em média, vão menos ao médico e demoram mais para levar sintomas a sério. Muitos esperam "melhorar sozinho" e só buscam ajuda quando o quadro se repete.
  • Normalização do cansaço. Sintomas como fadiga, falta de ar ao subir escada e desconforto após esforço são atribuídos ao trabalho, à idade ou ao excesso de peso.
  • Diabetes. O açúcar elevado por muitos anos pode afetar os nervos que conduzem a sensação de dor, uma condição chamada neuropatia. A pessoa infarta e sente pouco ou nada.
  • Idade e outras doenças. Com o passar dos anos, e em quem já teve outros problemas cardíacos, a apresentação dos sintomas tende a ficar menos típica.
  • Fatores de risco acumulados e não tratados. Pressão alta, colesterol elevado e tabagismo muitas vezes seguem anos sem acompanhamento porque não doem.

Vale um esclarecimento importante: o infarto silencioso não é exclusividade masculina. Mulheres também apresentam com frequência sintomas atípicos, e o assunto merece a mesma atenção. O que se observa nos homens é a combinação entre risco cardiovascular alto e demora em procurar ajuda.

Sinais discretos que costumam passar batido

Quando o infarto não se apresenta com a dor clássica, ele pode aparecer assim:

  • Cansaço desproporcional para uma atividade simples, como caminhar até a padaria ou tomar banho.
  • Falta de ar sem esforço evidente, às vezes ao deitar.
  • Sensação de peso, aperto ou queimação leve no meio do peito, que vai e volta.
  • Desconforto na boca do estômago, enjoo ou vômito, confundido com problema digestivo.
  • Dor ou formigamento no braço esquerdo, ombro, costas, pescoço ou mandíbula.
  • Suor frio repentino, palidez, tontura ou sensação de desmaio.
  • Ansiedade intensa e inexplicável, com a impressão de que algo grave está acontecendo.

Um detalhe ajuda a diferenciar: sintomas cardíacos costumam piorar com esforço e melhorar com repouso, e tendem a durar minutos, não segundos. Ainda assim, essa regra não é infalível, e a avaliação médica é o que define o quadro.

Quando procurar um médico

Procure atendimento de emergência imediatamente, ligando para o 192, se você ou alguém próximo apresentar:

  1. Dor, aperto ou queimação no peito que dura mais do que alguns minutos, ou que some e retorna.
  2. Desconforto no peito acompanhado de suor frio, falta de ar, enjoo ou tontura.
  3. Dor que se espalha para braço, ombro, costas, pescoço ou mandíbula.
  4. Falta de ar súbita e intensa, com ou sem dor.
  5. Desmaio, confusão mental ou palpitações fortes acompanhadas de mal-estar.

Não dirija até o hospital por conta própria e não espere para ver se passa. Se houver perda de consciência e ausência de respiração normal, inicie a massagem cardíaca enquanto o socorro não chega.

Já a consulta de rotina, sem urgência, é indicada quando você tem fatores de risco (pressão alta, diabetes, colesterol elevado, tabagismo, obesidade, sedentarismo ou histórico familiar de infarto precoce) e não faz acompanhamento há mais de um ano. Também vale marcar avaliação se notar queda no fôlego para atividades que antes eram fáceis.

O que reduz o risco no dia a dia

A maior parte dos fatores que levam ao infarto pode ser controlada com acompanhamento e mudanças sustentáveis:

  • Medir a pressão arterial com regularidade e tratar quando estiver alterada, mesmo sem sintomas.
  • Checar colesterol e glicemia nos exames periódicos, conforme a orientação do seu médico.
  • Parar de fumar. É uma das medidas isoladas com maior impacto sobre o coração.
  • Manter atividade física regular, começando devagar e respeitando a liberação médica se você já tem doença cardíaca.
  • Priorizar comida de verdade: frutas, verduras, legumes, grãos integrais, feijão, peixe e azeite, reduzindo ultraprocessados, excesso de sal e bebida alcoólica.
  • Cuidar do sono e do estresse crônico, que também influenciam pressão e inflamação.
  • Nunca interromper por conta própria medicamentos prescritos para o coração, pressão, colesterol ou diabetes.
Se você é homem, tem mais de 40 anos ou algum fator de risco cardiovascular, marque uma consulta de rotina e leve seus exames mais recentes. E combine com quem mora com você: diante de dor no peito, falta de ar ou suor frio inexplicável, a decisão já está tomada, liga para o 192. É melhor ir ao pronto-socorro e não ser nada do que ficar em casa esperando passar.